domingo, 30 de novembro de 2014

Sistemas Educativos

As sociedades crescem, tornando-se cada vez mais complexas, havendo necessidade de criar modos de organização, a que se dá o nome de sistema. Cada sistema tem valor só por si, é responsável pelos produtos que produz e sofre influência da própria estrutura. No entanto, não se pode permanecer isolado, pois desse modo contribui para o empobrecimento da sociedade. É da interação entre sistemas, que resulta o modelo de sociedade. A qualidade da malha que se forma, sociedade, depende das caraterísticas de cada um deles. A maioria dos sistemas educativos, surgiram como resposta a necessidades. O sistema educativo é dos mais antigos, pois surgiu com a necessidade de organizar a educação das crianças e dos jovens.
A expressão Sistema de Educativo remete para o conceito “Educar”, que significa prestar atenção ao ensino e á aprendizagem, pois privilegia não só a aquisição de saberes, mas também a aquisição e desenvolvimento de aptidões e competências. O objeto da educação é sempre o mesmo, quer no tempo quer no espaço, o ser humano. Numa abordagem evolutiva, consideram-se três aspetos: destinatários da educação, objeto da educação e a finalidade da educação.
A Educação assume-se como “um processo contínuo do desenvolvimento tanto das pessoas como da sociedade” (Delors e tal. 1999:11). Para estes autores, Educação assenta em quatro pilares: “aprender a ser, aprender a conhecer, aprender a fazer e aprender a viver junto”s. Esta é a base do Sistema Educativo.
Louis d`Halnaut define Sistema Educativo numa perspetiva tridimencional: (1) Histórico, (2) filosófico, ético, religioso e científico e (3) físico e geográfico, incluindo os recursos. Este enquadramento poderá ser responsável por diferentes modelos de Sistemas Educativos. Cada Sistema Educativo sujeita-se a três níveis funcionais: Político, administrativo e técnico-pedagógico.
Os Sistemas Educativos podem ser analisados à luz dos seus fundamentos ou à luz dos seus princípios orientadores. Entende-se por fundamento, as bases que o suportam. Princípios são as linhas que traçam uma orientação. Para d`Hainaut, os princípios orientadores derivam de três grandes vetores:  Seletividade, homogeneidade e funcionalidade.
As estruturas dos Sistemas Educativos resultam da conjugação de um grupo de variáveis, balizadas a qualquer Sistema Educativo: idade de ingresso, período de escolaridade obrigatória, a organização do sistema, as modalidades e/ou tipo de formação, as modalidades de transição, o esquema de progressão, os patamares de saída, os momentos e modos de avaliação e a graduação, a diplomação e certificação. Das variáveis apontadas podem-se deduzir cinco parâmetros: o parâmetro compulsivo, o parâmetro organizativo, o parâmetro delimitativo, o parâmetro avaliativo e o parâmetro certificativo.
Vaniscotte (1996), apresenta quatro tipos de escolas; Tipo Escandinavo (tem como preocupação promover uma melhor igualdade de oportunidades. O seu principal objetivo, é o desenvolvimento da criança e a sua felicidade), Tipo Anglo-Saxonico, (desenvolvimento da criança traduzindo-se num ensino individualizado), Tipo germânico (orientação precoce que sustenta a oferta de vias de estudos paralelas que prosseguem finalidades diferentes, favorecendo a inserção profissional) e tipo latino-mediterrânico (recusa vias de estudo alternativas, valorizando o vetor da homogeneidade. Vive à base de normativos). 



Os sistemas educativos têm estado ultimamente sob o domínio do paradigma económico. No pós guerra instalou-se a crença económica com um crescimento sem limites e sem fronteiras, o mercado passou a estar entre dois pólos, por um lado o aparelho produtivo, por outro o sistema de consumidores. Este era um modelo vigente nas sociedades industrializadas. Nesta linha de raciocínio apuraram-se as metodologias de cálculo do retorno do investimento económico em educação. Atualmente a Europa está no meio de uma mutação global, que trás consequências aos sistemas educativos. (De abundância de trabalho para escassez, aumento da exclusão e marginalidade, lentidão de adaptação à nova realidade).
A insatisfação sentida em relação ao modelo económico, arrastou essa perceção ao futuro dos sistemas educativos, verificando-se já alguns efeitos:
- Ocorrência de insucesso na escolaridade básica dos sistemas educativos das sociedades mais desenvolvidas,
- O esgotamento de um modelo educativo positivista assente no pressuposto de empregabilidade garantida,
- Perceção dos limites do estado como principal prestador e gestor de serviços educativos,
- Inadequação de sistemas educativos fundamentados na identitária e no autismo social,
- Insuficiências do modelo educativo ordenado em torno de objetivos cognitivos e inteletuais.
Até agora o sistema educativo, tem sido encarado como fator de crescimento económico sendo uma mais-valia para os países.
À escola neo-clássica de pensamento económico, juntou-se a teoria neo-schumpeteriana de desenvolvimento que enfatiza o valor económico de um processo de inovação que se difunde quer no espaço quer no tempo, com recurso ao uso das novas tecnologias, que apresentam grandes vantagens na produtividade e na produção.
Ambas as escolas concluem que o desenvolvimento sustentável e duradouro exige investimento continuado no fator humano e mudanças organizacionais, substituindo as tradicionais pirâmides taylorianas por “organizações de aprender” (learning organizations).
A educação deixa de ser encarada como um instrumento para adquirir o estatuto de finalidade nobre do desenvolvimento.
A economia perde o estatuto de centro da gravidade soberano, de toda a lógica de funcionamento das sociedades. Passando essa centralidade no homem e á sua caminhada. A consequência natural desta tomada e posição é a rejeição de um sistema económico que privilegia a acumulação patrimonial por uma minoria restrita. Os governantes tentam estimular a competitividade das suas unidades como forma de superar as dificuldades sentidas.
Ao eleger a educação como fator de excelência das políticas sociais está-se a ultrapassar o conceito economicista de acumulação de capital humano. Deste modo a educação passa a ser encarada como fator importante de regressão da pobreza estrutural. O reconhecimento que a educação é a principal causa diferencial de riqueza entre nações, é um grande progresso para vencer a resistência que se verifica de geração em geração, em vencer o conformismo.
As novas aprendizagens colocam-nos no caminho de novos desafios, aquisição de novas competências. Prefigura-se uma nova sociedade de futuro, sustentada por três pilares: A sociedade do Risco, premeia o gosto pelo desconhecido ao invés do conforto do desconhecido. A Sociedade Ativa, utópica em que todos têm direito a uma atividade e à participação nas tarefas de desenvolvimento da comunidade. Por último, a Sociedade Educativa, a caminho de uma ordem mundial alternativamente dominada pelo paradigma humano e da capitalização cultural, ao invés da omnisciência económica.
Deste modo urge a construção de políticas públicas consistentes, que possam dotar as sociedades de estabilidade a longo prazo.  

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

   

Conhecimento…


Numa perspetiva histórica, percebe-se que do ponto económico, podemos identificar várias fases; identifica-se uma sociedade agrícola, (terra/mão de obra), sociedade industrial (capital/trabalho) e na  atualidade sociedade do conhecimento. Na qual o conhecimento passa a ser o fator gerador de riqueza e desenvolvimento dos países. Para Gorz (2005) não são os produtos de trabalho cristalizado, mas o conhecimento cristalizado a principal força produtiva.
Deste modo a sociedade do conhecimento é aquela em que o conhecimento é o principal fator estratégico de riqueza e poder, quer seja ao nível das organizações como ao nível dos países.



Esta última mudança que ocorreu, será alvo da nossa reflexão, pois  surgiu um novo paradigma ao nível da comunicação.
Esta perdeu o caris tradicional, dos media de “um para muitos”.Com o surgimento da internet, a comunicação passou a disseminar-se de “muitos para muitos”.
A Word Wide Web, segundo Lévy (2007), constitui a maior revolução na história da escrita, depois da invenção da imprensa.


Perante esta nova realidade social, assente na acumulação de conhecimentos, e com a alteração das noções de espaço e tempo, pois a informação circula sem o entrave quer do tempo quer do espaço, “à distância de um clic”. Estamos pois, perante um fenómeno, efeito direto das tecnologias de informação e comunicação, o fenómeno da globalização. Permite proceder a ligações a nível planetário.
A reflexividade da vida moderna, segundo Giddens (1996), tende a introduzir práticas sociais, que são constantemente reformuladas, à luz das informações sobre elas adquiridas.
É neste quadro de referência que se procura desenvolver contextos gerais mais significativos que enquadra a problemática da relação Sociedade/Educação/Sistemas Educativos.
As grandes transformações em curso, questionam as politicam educativas e questionam o papel da educação e dos sistemas educativos, nesta dinâmica social.
Nos anos 70 houve a necessidade de escolarizar, todos, em obediência. Nos anos 80 a escolarização pretendia satisfazer a procura social. A partir dos anos 90 a escolarização passou a ter como característica a qualidade, exigindo o desenvolvimento de novas capacidades, possibilitando atualização e formação contínua, novas competências técnicas bem como novas formas de emancipação/individualização.  
As inúmeras mudanças que ocorreram, colocam a educação e a escola no centro da sociedade. Por sua vez, o individuo toma parte ativa nas suas opções e decisões que lhe dizem respeito, abandona o papel passivo, inerente ao papel desempenhado no anterior modelo.


Foi feita alusão a sistema, vários autores deram o seu contributo no sentido de melhor se entender esta noção. Destaca-se aqui a perspetiva de Edgar Morim (2007) que definiu como “unidade global organizada de inter-relações entre elementos, acções ou indivíduos”.


 






Numa economia em rápida transformação, a desigual partilha de conhecimentos, entre países mais desenvolvidos e países menos desenvolvidos, a educação tem um papel muito importante na promoção de desenvolvimento.
No entanto, a participação das mulheres na educação, nas sociedades menos desenvolvidas está aquém do que é espectável.
Uma vez que o desenvolvimento económico não garante o desenvolvimento humano, surge a necessidade de dotar os indivíduos com as ferramentas que lhe permitam controlar o seu próprio desenvolvimento. Foi nesta sequência de ideias que surgiu a noção de educação básica, para que possa conferir as competências básicas e colmatar os desajustes que possam ser encontrados.
A estratégia utilizada, foi a criação de sistemas educativos. Estes impõem um modelo educativo único, que irá limitar o desenvolvimento pessoal, pois não tem em conta a diversidade individual.
O desafio, aos sistemas educativos, será tornar os mesmos flexíveis, que tenham capacidade de mudança e funcionem de forma a agregar indivíduos para com a partilha de saberes, enriqueçam enquanto indivíduos.
O sistema educativo Português, engloba crianças desde o Pré – escolar ao Ensino Superior. Tem sido bem classificado do ponto de vista investimento per capita mas apresenta problemas ao nível dos resultados.

Para promover melhorias, será necessária a participação ativa da sociedade portuguesa, superando o “divórcio” que existe entre ambos, mas também reforçar o papel fundamental que os professores desempenham no sistema educativo Português.