Europa e o
Espaço Europeu da Educação segundo Dale (2008)
Dale
identifica mudanças na utilização e natureza de mecanismos de “soft governance”,
na construção de um Espaço Europeu de Educação (EEE) centrando não nas
possibilidades de dedução ou observação desta construção a partir dos seus
efeitos nos sistemas educativos dos Estados Membros (EM), mas nas consequências
que ela transporta para a conceção e natureza de uma “Europa”que informa e desenvolve
o referido EEE.
As mudanças
globais do projeto europeu influenciam profundamente a Educação. Os Sistemas
Educativos enfrentam o desafio de construir uma resposta ao nível europeu.
Ocorrerem mudanças no contexto político-económico, mudanças na “arquitetura” dos
Sistemas Educativos, mudanças quanto á capacidade dos Sistemas Educativos e
mudanças quanto ao valor atribuído ao contributo dos Sistemas Educativos.
As mudanças
no contexto político-económico
referem-se ao estado que deixou de ter o controlo entre os três pilares
(Estado, mercado e comunidade), para se tornar servidor. Job Jessop (1999)
sistematizou as mudanças que ocorreram entre 1975 e 2000:
·
O Estado passou
de planificador e interventor para um Estado com pouco envolvimento na
economia.
Para a
Educação significa destruir a base económica nacional em que assentam os
recursos da Educação.
·
Deslocação da responsabilidade do Estado para o indivíduo
nas questões de segurança e do risco.
Na Educação
mudam-se as relações entre as funções social e económica, passando de um contexto
onde a última (a económica) suportava a primeira (a social) para o seu oposto.
·
Uma mudança de perspetiva, do nacional para o pós-nacional.
Na Educação
significa que o Estado já não é necessariamente o detentor do monopólio da
governação da Educação.
·
Mudanças na natureza e fontes de governação, passagem
de uma situação em que o Estado faz tudo para a existência de vários agentes de
atividades.
Na Educação
significa que o plano Nacional deixa de ser o único plano de análise dos
Sistemas Educativos.
A “arquitetura”
dos Sistemas Educativos é constituída
por quatro componentes: a modernidade, os problemas fundamentais do
capitalismo, a “gramática” da escola e a relação da Educação com as sociedades
nacionais. Estes quatro elementos combinam-se de modos diferentes para dar
forma á arquitetura que assenta a educação.
A
modernidade e Educação têm estado no centro das preocupações á escala mundial. John
Meyer destaca dois objetivos essenciais: Igualdade individual e progresso
coletivo.
O valor atribuído
ao contributo dos Sistemas Educativos, identificam-se com os problemas centrais
da Educação, que reside no reconhecimento da sua relação com os problemas
fundamentais do capitalismo, que não pode por si só estabelecer mas precisa de
uma instituição como o Estado para o fazer. As soluções apontadas para estes
problemas tinham tanta probabilidade de ser mutuamente contraditórias como
mutuamente complementares.
A gramática
da escola é o termo utilizado (Tyack e Tobin, 1994) para exprimir um conjunto
de pressupostos e práticas organizacionais que se consolidam em torno da ideia de
desenvolvimento da escola de massas.
Os Sistemas
Educativos são os principais meios que as sociedades recorrem como repositório
da tradição e identidade nacional, assegurando desta forma a singularidade
nacional. Reforçam igualmente as suas economias, respondem a problemas sociais
e influenciam a distribuição das oportunidades individuais.
As mudanças
de conceção quanto á capacidade dos
Sistemas Educativos, as mudanças pretendidas, embora ocorram apelos para
que a Educação contribua mais fortemente para a agenda da competitividade, com
apresentação de algumas sugestões, mas a mudança não se consegue realizar a
nível nacional, por si só, mas a nível Europeu e com o contributo do setor privado.
Quanto ao valor atribuído ao contributo dos Sistemas
Educativos, urge uma mudança pois os Sistemas Educativos têm sido
considerados deficitários, relativamente ao contributo que podem dar às agendas
da competitividade e da Economia do Conhecimento/Aprendizagem ao Longo da Vida.
Sendo necessário transformar as escolas em centros abertos de aprendizagem.
Ao nível da
União Europeia surgem tentativas de responder às mudanças de forma a moldar as
possibilidades de construção de um EEE.
O alicerce
fundamental destas tentativas é o seu Tratado da Educação. Tratado esse que
afirma que a Educação obrigatória é de responsabilidade nacional e totalmente
sujeita à subsidiariedade. A declaração de Lisboa de 2000 gerou mudanças na
natureza e âmbito do envolvimento da EU na política educativa.
Dale,
apresenta os três níveis de desenvolvimento do EEE na tabela:
|
|
Governação
|
Mecanismos
|
Propósito
|
Europa
|
|
Fase – I
Pré-Lisboa
|
Grupos de trabalho de EM
(Estados Membros)
|
Indicadores
|
Conceção comum de “Educação”
|
Coordenadora de
experiências nacionais/definidora de qualidade.
|
|
Fase – II
Lisboa 2000-05
|
MAC (Método de Coodenação
Aberta)
|
Benchmorks Boas Práticas
|
Identificação de problemas
e coordenação política comuns, meios diferentes
|
Orquestradora de uma
divisão funcional e de escala de governação educacional
|
|
Fase – III
Lisboa pós revisão de
médio prazo.
|
Quadro de referência único
(ALV- Aprendizagem ao longo da vida)
|
Metas (ex. investimento)
|
Objetivos comuns, via
comum
|
Criadora de novos
setoreseuropeus de “Política Social”e “Política do Conhecimento”
|
Na fase um,
os indicadores servem para os países aprenderem uns com os outros através da
comparação de interesses comuns e diferenças partilhadas.
Na fase
dois, o Método Aberto de Coordenação, apresenta como principal objetivo
oferecer a possibilidade de ultrapassar o impasse na política europeia causado
pelas limitações dos dois principais caminhos para a integração: a regulação e
o consenso.
Na fase
três, aprendizagem ao longo da vida, ou educação permanente ou recorrente, foi
uma corrente importante da reforma educativa progressiva que ocorreu após a Segunda
Guerra Mundial, promovida pela UNESCO.
Dale
conclui que a EU está a construir o Espaço Europeu de Educação, sobre o qual
detém o controlo, construindo dessa forma uma nova versão de Europa no que diz
respeito à Educação.
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